Checklists, Dia a Dia


Porque os pais não devem arrumar a bagunça dos filhos


Todas nós já chegamos ao ponto aonde a casa está virada do avesso e totalmente zoneada. Tem brinquedos por todos os lugares. E ficamos nos questionando como manter tudo sob controle. Recentemente lemos uma entrevista de um jornalista, o Tim Harford, que publicou um livro chamado Messy: The Power of Disorder To Transform Our Lives (traduzido seria algo como “Bagunça: O poder da desordem transformando nossas vidas”). Achamos alguns pontos dele interessantes e nos questionamos: será que a casa estar constantemente impecável é realmente uma pressão que temos que colocar em cima de nós mesmas? Será que manter nossos filhos entretidos o tempo todo é saudável para eles?

Nesse livro, Harford  fala que a desordem é, sim, aceitável. Alias, ele vai além e confirma que ela é até necessária para estimular a criatividade. Aqui vão algumas dicas que ele dá para nós pais abraçarmos um pouco a bagunça dos nossos filhos (de uma maneira razoável, claro!):

  • Pare de sair arrumando atrás do seu filho: Escolha as suas “batalhas”. Especialmente se você está no espaço do seu pequeno, como o quarto dele. “Nós temos uma tendência de tentar controlar a bagunça das outras pessoas e tentar fazer com que elas arrumem. É um problema bastante comum em escritórios, por exemplo, que adotam a política do “mesa limpa” sem nenhum racional” diz Harford. “Isso frustra funcionários, e a mesma coisa acontece em casa”. Arrumar o quarto sempre foi uma discussão entre o jornalista e os seus filhos. Até que um dia ele “desistiu”. Eles continuaram responsáveis por muitas tarefas domésticas como tirar a mesa, ajudar a lavar a louça e arrumar a cama, mas quando se trata do quarto deles ele decidiu que não valia a pena. A conclusão dele foi “Eles estão ótimos, são responsáveis, fazem suas tarefas mas o quarto era apenas um ponto de tensão desnecessário”.
  • Toda bagunça é uma oportunidade: Ele explica “A bagunça na verdade uma oportunidade de resolver problema, ou seja, de sermos pessoas mais criativas, responsáveis e humanas”. Não faça as tarefas pelos seus filhos, mas também não fique bravo com as idéias criativas, estranhas e diferentes que eles possam ter para arrumar. “As crianças nos interrompem o tempo todo com idéias malucas…é fácil cair na armadilha de subir um muro de negatividade” ele fala. Escute eles e, inclusive, construa em cima das idéias deles. “Um dia minha mulher estava viajando e eu estava sozinho com as crianças. Então, minha filha de 11 anos me perguntou porque não poderia ir a pé para a escola. A única coisa que pensei foi “não quero mais uma mudança na rotina, já está difícil” mas depois me questionei “porque não?”.
  • Tenha plano sem-plano: Você acha que você está se saindo bem porque tem um documento de 3 páginas que tem até código de cor mostrando a rotina do dia a dia? Bom, infelizmente, não é bem assim.  “É tentador ocupar as crianças o tempo todo. E também é tentador deixar que elas mesmas se ocupem demais” Harford diz. Ele cita um estudo aonde crianças em idade escolar foram encorajados a marcar atividades para todos os momentos do dia deles. O resultado mostrou que logo eles ficaram desmotivados. Qualquer coisa que saísse da rotina deixava eles bastante aflitos e eles se sentiam fracassados.
  • Horário de brincar deveria ser só o horário de brincar: Seu filho quer jogar futebol? Você pode colocar ele na escolinha, comprar uniforme, chuteira e treinar de final de semana. Ou você pode simplesmente dar uma bola de presente e deixar ele jogar. ” Eu encorajo os pais a deixarem as crianças brincarem sozinhos, ou até com os amigos, mas de uma maneira não estruturada. Deixe que eles interajam, façam seus próprios erros e até de entediem sozinhos”. Se é só um monte de crianças com uma bola eventualmente eles vão aprender a cooperar, interagir e até negociar as suas próprias regras”. O resultado não vai ser um jogo espetacular de futebol, mas eles vão ter ainda muito tempo para isso…