Comportamento


Os primeiros aprendizados mudando de país com um pequeno


Então, uma de nós saiu do Brasil recentemente. Com a cara e a coragem, pegou suas coisas, segurou a mão do marido, colocou a filha no colo e foi…

Esse post vai ser algo inédito por aqui, pois normalmente não falamos em primeira pessoa. Colocamos aqui nossas experiências, nossas discussões (entre nós e com outras mamães…), mas tentamos sempre ser o mais objetivas e imparciais possível. Já basta tudo de opinião que você tem por aí…Mas, esse tema exige trazer o texto para o “eu”. Achamos que era uma experiência legal de compartilhar.

Uma mudança de país já é assustadora por sí só. Já vai exigir muito de você. Serão muitos desafios e aprendizados enfrentando uma nova lingua, barreiras culturais, a solidão, a saudade, o construir tudo de novo. Eu já sabia disso. Meu marido sabia disso. E também tínhamos muita consciência que enfrentaríamos barreiras ainda maiores e medos ainda maiores levando a tira-colo nossa filha de 2 anos. Ela ia enfrentar tudo isso. E ela só tem 2 anos. Nos preparamos. Lemos, conversamos, buscamos informações…mas sabíamos que estávamos tomando a decisão certa pensando no futuro dela.

A verdade é: nada te prepara para mudar de país com um filho. Alias, nada te prepara para a maternidade, certo? Então, mudar de país é mais um capitulo dessa novela. Tentei me preparar e, mesmo assim, fui pega de surpresa. Resolvi reunir aqui os meus maiores aprendizados dos primeiros 3 meses de casa nova com a pequena:

check Foque em primeiro construir o que é da criança 

De repente, me vi com uma vida completamente desestruturada. Não sabia nem por onde começar e deixei assim por um tempo – confesso que estava paralisada com tudo que estava acontecendo. Bom, isso foi um erro. Porque? Porque estendi mais do que deveria o caos para a minha filha também. E se para a gente é difícil e muita mudança, imagina para uma criança de 2 anos? Então, a dica é: foque na criança e TUDO relacionada a ela. Vá achar escola rápido. Pediatra. Natação. Primeiro que isso te ocupa. Segundo que vai começando a estruturar e ficar claro para seu pequeno o que é a nova vida. Ele vai se sentir menos perdido. E você também. Tenha paciência. Vai chegar a sua vez. Até porque, tenho certeza, que você só vai conseguir ficar tranquila sabendo que seu pequeno também está.

check Deixe tudo da criança o mais estático possível

Tente fazer todas as mudanças necessárias rápido. E depois disso, o foco deveria ser em deixar tudo relacionado a criança (rotina, espaço fisico, escola) o mais estático e sem mudança possível. Aprendi que fazer as coisas com calma, por fases, deixar ela digerir uma coisa de cada vez pode ser bom por um lado (afinal, de repente chega uma avalanche de mudança!), mas a verdade é que simplesmente prolonga sofrimento. Prolonga a instabilidade. E instabilidade nessa idade gera ansiedade, medo e insegurança.

Nós não trouxemos muitos moveis e coisas do Brasil na mudança. A verdade é que vamos deixar tudo aí e começar do zero de novo. Mas, sabíamos que para a nossa filha ter as coisinhas dela, o quarto do jeito dela de novo aqui poderia ajudar muito. Então, trouxemos ele, do jeito que era lá. E como ela ficou feliz! Valeu a pena.

check Planeje para conseguir “calmaria” o mais cedo possível

Uma das coisas difíceis quando mudamos é que existe (pelo menos nesse começo) uma sensação que nada nunca mais vai tranquilizar e estar calmo. Que sua vida nunca mais vai ser pacata como era. E pacato era tão legal!!! Agora você sabe disso…

Nós chegamos, saímos loucamente procurando escola, apartamento, carro. Logo depois, a sogra veio visitar. Ela foi embora, veio uma amiga. E logo depois dela, meus pais. Esse “vai e vem”, essas pequenas mudanças (em um cenário que já mudou muito!) acabam afetando muito a pequena. É claro que ela fica perdida, sem saber o que vai ficar e o que vai embora. Com isso, ela fica insegura sempre que está longe dos pais (e não é dos dois, mas de qualquer um!). Parece que existe um medo que ele vá e não volte.

check Pergunte, Re-pergunte, Tri-pergunte e pergunte de novo sobre a adaptação na escola

Fui suuuuuper cuidadosa com escola. Procurei até achar uma que sentisse que era a certa (e não foi fácil!). Fui atrás de entender detalhes, conhecer as professoras. Inclusive, fui muita cuidadosa em tentar entender como seria o dia da adaptação, até antecipando algum choque de cultura. Perguntei, perguntei 2x. Entendi. No dia da adaptação me dei conta que não tinha entendido nada. Fiquei perdida no primeiro dia na escola dela. Consequentemente sei que passei, sem querer, passando medo e insegurança para a minha filha. E isso…demorou para passar. Alias, vou ser sincera. Com 1 mês de escola quase continuamos o processo de adaptação ainda com protesto e choro. Até escrevemos um post sobre isso. Se não leu, vale a pena ler: “E quando a adaptação não é tão fácil assim”

check Não faca nenhuma mudança que não seja necessária

Tava pensando em tirar fralda? Chupeta? Tirar do berço para a cama? Esquece. Não é hora. Tão simples e direto quanto isso. Quando tudo acalmar, acalmar DE VERDADE, aí você volta no assunto. Vai ser pior e mais traumático tentar nessa fase conturbada do que sua filha ficar uns meses a mais do que previsto (por você) com fralda, chupeta, mamadeira, etc.

check Não pare até estar 100% segura das suas decisões

Como comentei no ponto acima, procurei e olhei várias escolas até me decidir por uma. Fui pedindo indicações, lendo na internet, tentei entender proposta pedagógica, fui la visitar, conhecer as professoras…olhei muitas escolas e nunca estava 100% confiante. A melhor coisa que fiz foi não sossegar até ter certeza. A adaptação para uma nova escola (ou seja, nova cultura, novas pessoas, novo ambiente e novo idioma) já é muita coisa e vai gerar insegurança, adaptação, choro….agora, passar por tudo isso com você, a mãe que deveria estar segura e passando confiança, insegura…não dá.

check Ahhh..o tempo

Tão simples quanto: o tempo cura tudo. Verdade. São só 3 meses. Ainda esta curando. Ainda estamos enfrentando muita coisa. Já esta muito melhor do que no começo. Sei que vai melhorar mais até tudo se ajeitar. Com ela, comigo, com meu marido e para nós como família. Não sei quanto tempo vai demorar. Sim, to ansiosa para chegar logo. Mas, quando decidimos vir, sabíamos que seria um processo. Agora, precisamos do controle emocional para isso. Um amparando o outro e deixando o tempo encaixar tudo.