Gestante


Gravidez de risco. E agora?


diabetes_gestacional-300x180Quando descobrimos que estamos grávidas, um mar de dúvidas e alegrias bate a nossa porta. E de repente, um mundo novo aparece junto com aquela segunda linha do teste. Mas também precisamos falar de quando as coisas nem sempre seguem o planejado e como lidar com isso.

O fato é que ninguém nos prepara para as notícias complicadas que podemos receber durante a gravidez. Sempre se fala do nome, do quartinho, do enxoval…mas pouco é dito sobre quem não consegue organizar tudo isso porque estava lutando para que sua gravidez chegasse até o fim da forma mais tranquila possível. De quem está de repouso para oferecer para o seu bebê o melhor (e mais tempo!) dentro da barriga.

A boa notícia é que a medicina está muito evoluída e bebês que nascem de 24, 25 semanas hoje tem uma expectativa muito maior do que há 10 anos atrás. Graças a alguns medicamentos e procedimentos médicos, muitas gestações de risco conseguem chegar até as sonhadas 36 semanas (quando o bebê não é mais considerado prematuro).

checkNão se desespere: Vai ser muito fácil tentar achar culpados, pensar o que você podia ter feito diferente (foi aquele sushi que comi um dia? Foi aquele um gole de vinho que dei quando não sabia que estava gravida?). Mãe se culpa mesmo. Mãe que tem gestação de risco se culpa em dobro. Podemos te dar certeza que não foi nada que você fez.

check Não compare: Não caia nessa e não deixem que te “joguem” para essa. Sempre tem aquela tia do cunhado da prima, que passou pela mesma coisa (sim, todo mundo vira médico capaz de comparar diagnósticos médicos!). Nenhum caso é igual a outro, são 2 organismos diferentes vivendo no mesmo corpo, logo, são 4 seres distintos que estamos comparando – não soa muito lógico.

check Cuidado com os extremos: Sim, vai parecer que o mundo esta desabando a sua volta. Vai parecer até que não tem solução. Você não pode mudar o que está acontecendo, mas é sua responsabilidade encarar isso da melhor forma possível. Pode parecer duro, mas você não é ‘só’ você, está carregando outro serzinho que sente o que você sente. Existe uma linha tênue entre até onde a preocupação vira sofrimento, e, o sofrimento vira pessimismo. Cuidado para não ultrapassar demais esta linha pois você está cheia de hormônios borbulhantes. Se sentir que não está em um caminho legal, converse com alguém que você confie, se apoie nas pessoas para que estes sentimentos não fiquem presos dentro de você.

checkNão tente prever o futuro: Não se preocupe com o que ainda não aconteceu, e, não procure demais em sistemas de busca. A internet vai trazer o que você quiser ler, não a cura do seu problema. É crucial confiar no medico. Uma de nossa experiência foi de uma gestação com pressão alta, que levou a um envelhecimento precoce da placenta e o pequeno parou de crescer com 30 semanas de gestação – ainda bem pequeno. A partir daí, foi repouso e todo dia conversas com o médico para decidir se valia a pena tirar ou manter. Se não existisse confiança no medico, esse processo seria traumático e doloroso demais. Precisamos confiar que ele esta fazendo o que faria se fosse ele na mesma situação.

 

Você pode pensar que é fácil dizer tudo isso, mas, sabemos que nada é tão simples.  Por coincidência (ou porque é mais frequente do que imaginamos e expomos) nós duas passamos por gestações delicadas. Experiências diferentes, gravidades diferentes, mas não menos complexas de lidar. Uma teve uma gestação de risco e o pequeno chegou a ter 70% de chance de sobrevivência com 26 semanas (sim, exatamente assim que saiu da boca do médico). Resultado final? Nasceu com 34 semanas, graças a todos os repousos, internações e medicamentos.  Ficou quase um mês na UTI, mas hoje está forte e saudável como qualquer outra criança de 2 anos. A outra experiência foi uma gestação com pressão alta. Aliada a isso tinha uma pré-disposição de trombose e histórico de pré-eclâmpsia (para que ser fácil né?). O pequeno parou de crescer com 30 semanas. Exigiu repouso, injeções por 9 meses. Resultado? Nasceu com 38 semanas, pequeno, mas saudável, totalmente formado e grande suficiente para conseguir passar longe da UTI.

 O que aprendemos? Que apesar das coisas não terem saído como imaginávamos, de talvez até não ter conseguido fazer enxoval, ter um chá de bebê ou ensaio fotográfico de gestante…quando se trata dos nossos pequenos, mesmo que na barriga, viramos leoas. Fizemos de tudo. E faríamos tudo de novo…até porque, no fim, foi perfeito da forma como foi e faz parte da estória de vocês.