Comportamento, Dia a Dia


Forçar uma criança a comer é falta de respeito?


Tem temas que sempre são bastante recorrentes entre as mães. Alimentação é um deles. Primeiro se discute muito sobre a amamentação. Depois trocamos figurinhas sobre a introdução alimentar e ficamos nos questionando que método é melhor: BLW, as papinhas, etc. Depois vem a fase que as crianças começam a ser seletivas ou não querem comer. E assim vamos indo, superando e lidando com cada fase….

Outro dia lemos uma entrevista do pediatra espanhol Carlos González. Ele foi definido pelo jornal britânico “The Guardian” como “o médico que quer que os pais quebrem as regras” e defende a criação com apego e a volta dos instintos paternos. Nessa entrevista ele discute como forçar uma criança a comer é falta de respeito já que as crianças vão comer quando estão com fome e que não tem motivo para forçar a situação.

Nós discutimos bastante esse texto. Uma de nós recentemente foi morar fora na Europa e começou a ver alguns assuntos com um olho diferente. A verdade é que por lá esse conceito já é amplamente utilizado. Em algumas creches e escolas não existe nem horário certo para comer, existe um intervalo de tempo. As crianças podem sentar e comer quando quiserem, dentro daquele intervalo. Eles acreditam que as crianças precisam desenvolver auto-conhecimento, elas precisam começar a entrar em contato com a sensação de fome. Na verdade eles até acreditam que isso é uma transição melhor para a fase da escola. Se pensarmos bem, na escola não existe horário do lanche; existe o intervalo entre aulas. Nele você pode aproveitar para comer – decidindo por conta própria se quer ou não e quando.

A verdade é que esse método desenvolve na criança, a longo prazo, independência e autonomia. Ela se percebe melhor, percebe melhor quanto e quando tem fome. Acaba se tornando, a longo prazo, provavelmente uma pessoa que tem maior controle sobre o seu apetite e comida. Isso tudo é ótimo. Mas, o método exige também confiança, sensibilidade e atenção dos pais. Vai acontecer, por exemplo, de a criança comer pouco ou até pular refeições e pedir para comer em horários alternativos. Os pais precisam estar confiantes no processo. Sensíveis ao que a criança está pedindo e em como ela vai evoluindo. Atentos para a criança estar se desenvolvendo dentro do normal. Qualquer mudança ou queda em peso precisa, sim, de intervenção. Como sempre, é tudo uma questão de bom senso, equilíbrio e tranquilidade na maternidade.