Comportamento, Dia a Dia


Desvendando a birra


A birra é vista de diversas maneiras: a causa da frustração dos pais, um incomodo para as pessoas que presenciam, um pesadelo para os professores, a constatação da sogra que ela tinha razão nos pitacos dela…mas até recentemente esse não era um tópico estudado pela ciência, por exemplo.

Finalmente algum cientista, provavelmente que fosse pai/mãe, resolveu entender o que tem por de trás dos berros, de jogar coisas, bater nos outros e chutar. Acontece que eles descobriram que a birra tem um padrão de comportamento e, inclusive (quem diria!) um ritmo.

A pesquisa analisou o audio de mais de 100 crianças fazendo birras “Nós temos os melhores (e maiores) dados quantitativos que já foram desenvolvidos em relação a birra desde a existência da humanidade” disse o co-autor do estudo Michael Potegal da universidade de Minnesota – fazendo graça, mas confirmando que o tema foi pesquisado a fundo.

Analisando as informações eles perceberam que raiva e tristeza surgem juntos com padrões de comportamento específicos e que se combinam. A tristeza, combinada com resmungo, choramingo e choro (combinação 1) são consistentes do começo ao fim. Já a raiva – e os fatores combinamos a ela como gritar, bater e chutar (combinação 2) aparecem em momentos pontuais. Juntando esses dados com dados científicos ja existentes de que a raiva passa mais rápido que a tristeza, ajudaram eles a identificar como lidar com ataques de birra.

Reagir imediatamente a raiva – um comportamento completamente normal quando seu pequeno se torna um pequeno monstro – acaba criando um ciclo de raiva que se perpetua por mais tempo. A tristeza sempre vai persistir, porém os picos de raiva somente permanecem ou re-aparecem se alguém esta dando atenção para eles. Deixe esses picos de raiva simplesmente passarem e alimente a tristeza. Daí basta você consolar uma criança triste – o que é bem mais fácil de fazer. Parece muito louco colocar as coisas assim nessa perspectiva,né? Porque você iria alimentar a tristeza do seu filho? Porém, te garantimos (e a ciência concorda!) que ao fazer isso você vai lidar melhor com a situação e ajudar mais seu filho.

“Quando eu aconselho os pais de como “sobreviver” a um ataque de birra, eu sempre falo para eles não cairem na “armadilha” da raiva” diz Michael. Até mesmo fazer perguntas pode prolongar a fase da raiva. Porque? Simples. Eles estão com dificuldade de lidar com alguma coisa. Fazer perguntas simplesmente vai “sobrecarregar” ainda mais um sistema que esta com dificuldades para funcionar.

Ou seja, a solução é fazer nada. Espere passar a raiva para lidar com a situação. “Entender que a birra tem um ritmo pode ajudar os pais não só saber quando intervir, mas também vai dar a eles um maior controle sobre a situação” disse Michael.